O
CONHECIMENTO E A INFORMAÇÃO.
Na visão de Celso Antunes.
Vivemos um período histórico de extrema
banalização de informações. Estas, que antes chegavam aos poucos, capazes de
serem assimiladas, comentadas e, portanto, mantidas nas lembranças, foram
literalmente “atropeladas” por um avanço notável dos meios de comunicação que
nos trás de toda parte, a cada segundo, uma infinidade imensa de saberes. O
rádio, a televisão, os vídeos, mas ainda muito mais expressivamente a Internet,
fizeram com que as informações ganhassem uma nova dimensão e incomensurável
volume, alterando de forma substancial o papel da escola e a função do
professor. Anos atrás, o professor deveria levar a seus alunos as informações
especializadas de sua disciplina, aprendidas em seus estudos, e aos alunos
cabia assimilá-las de maneira significativa ou mecânica. Hoje, já não é mais
necessária essa tarefa, uma vez que essas informações transitam por todos os
meios — livros didáticos, fascículos, apostilas, revistas, jornais, vídeos,
programas de computador, buscas na Internet — mas seu excepcional volume e
necessidade constante de atualização tornam necessária sua transformação em
conhecimentos, habilidades, práticas cívicas e, enfim, sabedoria. Essa notável
mudança de paradigma sobre a popularização da informação viu-se acompanhada de
uma outra, não menos notável, representada por estudos da mente humana e dos
meios que utiliza para assimilar conhecimentos e construir relações entre a
ação do sujeito sobre o mundo. As ciências cognitivas vieram para ficar,
trazendo novas teorias sobre a mente e, portanto, sobre a inteligência, memória
e a aprendizagem. A convergência dessas duas mudanças implica uma nova postura
do professor como medializador entre as informações e sua construção por parte
do aluno e também do espaço escolar simbolizado pelo ato pedagógico. Cada vez
mais a sala de aula precisa ir assumindo novas feições, deixando de ser um
espaço de recepção de conhecimentos, para transformar-se em verdadeira academia
de ginástica onde se exercita o cérebro a receber estímulos e desenvolver
inteligências. O extraordinário avanço dos meios de comunicação e a
popularização dos saberes, associado ao que hoje se sabe sobre como a mente
humana aprende, reclama por um novo professor que oriente seus alunos sobre
como colher informações, de que forma organizá-las mentalmente como definir sua
hierarquia e, sobretudo, de que maneira transformá-las em conhecimento e, dessa
maneira, ampliar suas inteligências. Ao lado dessa missão, o professor precisa
ir também se transformando em um analista de símbolos e linguagens, um
descobridor de sentidos nas informações e, também, o profissional essencial do
despertar das relações interpessoais. Com uma reflexão, sobre sua prática
pedagógica, poderá descobri-la como ferramenta essencial da sabedoria e
descobrir-se como um artesão que inventa soluções para os desafios
impostos pela massificação da informação.
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