domingo, 22 de janeiro de 2017

O CONHECIMENTO E A INFORMAÇÃO.



O CONHECIMENTO E A INFORMAÇÃO.

Na visão de Celso Antunes.
Vivemos um período histórico de extrema banalização de informações. Estas, que antes chegavam aos poucos, capazes de serem assimiladas, comentadas e, portanto, mantidas nas lembranças, foram literalmente “atropeladas” por um avanço notável dos meios de comunicação que nos trás de toda parte, a cada segundo, uma infinidade imensa de saberes. O rádio, a televisão, os vídeos, mas ainda muito mais expressivamente a Internet, fizeram com que as informações ganhassem uma nova dimensão e incomensurável volume, alterando de forma substancial o papel da escola e a função do professor. Anos atrás, o professor deveria levar a seus alunos as informações especializadas de sua disciplina, aprendidas em seus estudos, e aos alunos cabia assimilá-las de maneira significativa ou mecânica. Hoje, já não é mais necessária essa tarefa, uma vez que essas informações transitam por todos os meios — livros didáticos, fascículos, apostilas, revistas, jornais, vídeos, programas de computador, buscas na Internet — mas seu excepcional volume e necessidade constante de atualização tornam necessária sua transformação em conhecimentos, habilidades, práticas cívicas e, enfim, sabedoria. Essa notável mudança de paradigma sobre a popularização da informação viu-se acompanhada de uma outra, não menos notável, representada por estudos da mente humana e dos meios que utiliza para assimilar conhecimentos e construir relações entre a ação do sujeito sobre o mundo. As ciências cognitivas vieram para ficar, trazendo novas teorias sobre a mente e, portanto, sobre a inteligência, memória e a aprendizagem. A convergência dessas duas mudanças implica uma nova postura do professor como medializador entre as informações e sua construção por parte do aluno e também do espaço escolar simbolizado pelo ato pedagógico. Cada vez mais a sala de aula precisa ir assumindo novas feições, deixando de ser um espaço de recepção de conhecimentos, para transformar-se em verdadeira academia de ginástica onde se exercita o cérebro a  receber estímulos e desenvolver inteligências. O extraordinário avanço dos meios de comunicação e a popularização dos saberes, associado ao que hoje se sabe sobre como a mente humana aprende, reclama por um novo professor que oriente seus alunos sobre como colher informações, de que forma organizá-las mentalmente como definir sua hierarquia e, sobretudo, de que maneira transformá-las em conhecimento e, dessa maneira, ampliar suas inteligências. Ao lado dessa missão, o professor precisa ir também se transformando em um analista de símbolos e linguagens, um descobridor de sentidos nas informações e, também, o profissional essencial do despertar das relações interpessoais. Com uma reflexão, sobre sua prática pedagógica, poderá descobri-la como ferramenta essencial da sabedoria e descobrir-se como um artesão que inventa soluções  para os desafios impostos pela massificação da informação.

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