Subseção I
O Ensino da Biologia na formação
do educando.
Inteligência Naturalista. Comente como ela pode ser desenvolvida
na prática docente, estimulando os jovens através das aulas de Biologia, na
perspectiva da aprendizagem significativa?
Pesquisando sobre a Inteligência Naturalista, e como a Inteligência Naturalista pode ter implicações
para Educação.
COMENTÁRIO.
INTELIGÊNCIA NATURALISTA.
“A psicologia clássica, sistematizada no fim
do século XIX, sustenta que a inteligência pode ser medida pela capacidade da
pessoa em resolver questões lingüísticas e matemáticas; nenhum ser humano é
intrinsecamente mais capaz do que seu vizinho – ele apenas explora melhor
determinadas inteligências que lhe foram conferidas pela natureza”.
Quem possui inteligência
naturalista é capaz de identificar e classificar padrões na natureza. Essa
inteligência – como todas as outras – tem sua origem no instinto de
sobrevivência. O homem pré-histórico dependia desse tipo de percepção para
identificar a flora e a fauna que podia ou não ser comida. Hoje, essa percepção
nos permite interagir com o ambiente e entender o papel que ele desempenha em
nossa vida. O naturalista inglês Charles Darwin (1809-1882) foi um pouco além:
ao propor as bases da moderna teoria da evolução das espécies e do princípio da
seleção natural como seu mecanismo, ele revolucionou a forma como o ser humano
vê a si próprio. Antes, era uma criação divina. Depois de Darwin, o homem
encontrou seu lugar como um elo na cadeia evolutiva, cujas regras valem para
todas as criaturas vivas. Ele formulou sua teoria após retornar de uma viagem
ao redor do mundo, durante a qual coletou uma enormidade de espécies. Mas
demorou duas décadas para publicar A Origem das Espécies, o livro que mudou a
sociedade e o pensamento modernos. Na minha visão e formação psicopedagógica,
entendo e afirmo que a inteligência emocional caiu em descrédito, mas a
psicologia atual mostra que existem diversos tipos de poder intelectual.
Leonardo da Vinci foi um grande polímata, ou seja, atuava com brilho
em diversas áreas do conhecimento. Como pôde alguém reunir tantas qualidades
intelectuais e artísticas? Que explicação tem a ciência para o fenômeno Da
Vinci? A resposta está nas descobertas feitas pela psicologia nas últimas duas
décadas ao tentar desvendar o que é exatamente a inteligência humana. Com base
nessas descobertas, e utilizando-se a terminologia que elas consagraram,
pode-se afirmar que o gênio da Renascença não apenas era um polímata, mas suas
diversas inteligências conversavam entre si, em um diálogo de neurônios tão
fenomenal quanto raro. Essa habilidade de colocar para trabalhar em harmonia
áreas distintas do cérebro já foi explicada de diversas maneiras. A mais
recente é física. A hipertrofia da área nervosa do cérebro que faz a junção
entre os hemisférios direito e esquerdo seria a responsável, em parte, pela
emergência de fenômenos como Leonardo da Vinci. A
psicologia clássica, sistematizada no fim do século XIX, sustenta que a
inteligência pode ser medida pela capacidade da pessoa em resolver questões
lingüísticas e matemáticas. A partir dessa premissa, criaram-se os testes de
quociente de inteligência, ou QI, atualmente em desuso. Hoje, sabe-se
que a inteligência não é uma entidade una, traduzível em índices. Há vários
tipos de inteligência, cada uma aplicada a um campo do conhecimento ou da
atividade humana. "As pessoas têm dentro de si todos os tipos de
inteligência, mas desenvolvem cada um deles em grau diferente", diz Howard
Gardner, psicólogo americano, da Universidade Harvard, um dos teóricos dessa
nova corrente. EM SINTESE: nenhum ser humano é intrinsecamente mais capaz do
que seu vizinho – ele apenas explora melhor determinadas inteligências que lhe
foram conferidas pela natureza. Na
última década, a questão da natureza da inteligência foi alvo de vários
estudos. Em 1995, o psicólogo e jornalista americano Daniel Goleman causou
furor com o livro Inteligência Emocional, que vendeu 5 milhões de cópias em
trinta idiomas. Goleman alega que o equilíbrio emocional é tão vital para o
sucesso na vida como a formação intelectual. Vazada em autêntico estilo
auto-ajuda, a obra nunca foi aceita pelos estudiosos acadêmicos. Já a teoria
das inteligências múltiplas, erguida com sólida base científica, explica como
alguns conseguem chegar tão longe.
Além da Inteligência Naturalista,
temos ainda outros conceitos que aqui são expostos para efeito avaliativo de
conceituação doutrinaria e acadêmica.
Vejamos:
INTELIGÊNCIA LINGÜÍSTICA:
A inteligência lingüística revela-se na capacidade de
comunicar e interpretar o mundo através das palavras. É a inteligência dos
escritores e poetas – e também das pessoas que gostam de brincar com rimas e
trocadilhos, contar piadas e histórias. O escritor irlandês James Joyce
(1882-1941) foi dono de uma inteligência lingüística assombrosa, demonstrada em
suas duas obras-primas, os romances Ulisses e Finnegans Wake. Na primeira, cada
um dos dezoito capítulos é escrito num estilo literário diferente e é associado
a uma cor, a uma arte ou ciência e a um órgão do corpo. Essa combinação de
escrita caleidoscópica com uma estrutura de texto formal faz do livro uma das
maiores contribuições para a literatura do século XX. Já Finnegans Wake é todo
escrito numa linguagem peculiar e obscura, não tem enredo nem personagens
convencionais – um primor de originalidade lingüística.
INTELIGÊNCIA LÓGICA:
A inteligência lógica permite que
se compreendam as relações abstratas, ou seja, os conceitos que não existem no
mundo real, apenas na dimensão das idéias. Os cientistas, matemáticos e
filósofos contam com ela para realizar seu trabalho. Quem possui inteligência
lógica aguçada tem facilidade em entender o que está a sua volta por meio de
equações matemáticas. Consegue enxergar poesia nos números e arte na ciência. O
físico alemão Albert Einstein (1879-1955), o mais célebre cientista do século
XX, desenvolveu sua inteligência lógica até o limite. Embora sua especialidade
não fossem os cálculos matemáticos (preferia delegá-los a ajudantes), ele viu
no universo o que ninguém havia percebido antes. Dessa forma, construiu a
teoria da relatividade, que alterava as relações até então aceitas entre tempo
e espaço. As idéias de Einstein forneceram os fundamentos para a moderna
cosmologia e, anos depois de sua morte, continuaram a dar aos cientistas as
ferramentas para entender várias características do universo. Sua visão foi tão
original que ele se tornou uma celebridade, algo até então inédito para um
cientista.
QUESTÃO ANALÍTICA.
Comento aqui como ela
pode ser desenvolvida na prática docente, estimulando os jovens através das
aulas de Biologia, na perspectiva da aprendizagem significativa.
A metodologia aplicada para atingir a estimulação dos jovens
através das aulas de Biologia, leva a geração muita dúvidas, o que nos faz
concluir que são necessárias mais situações práticas de aprendizagem para que o
aluno realmente compreenda os conceitos.
Notamos que os conteúdos não são contextualizados, ou quando
o são, essa contextualização é muito distante da realidade vivenciada pelo
educando.
Concluímos que quando utilizamos exemplos ou situações que
fazem parte do cotidiano os alunos conseguem se inserir e compreender melhor os
conceitos trabalhados.
COMENTÁRIO.
A Inteligência Naturalista pode
ser desenvolvida na prática docente considerando...
“ que os jovens através das aulas teóricas do ensino de biologia, devem
articular e valoriza a prática profissional da pesquisa como momento de
construção de conhecimento, por meio da reflexão, análise e problematização
desta...”
(...)e não
perder de vista o
princípio em que: o detector desta inteligência possui capacidade de
identificar e classificar padrões na natureza. Essa inteligência – como todas
as outras – tem sua origem no instinto de sobrevivência.
A normativo-positivista abre
precedentes para: UM DECÁLOGO DA BOA APRENDIZAGEM.
Vejamos:
A Lei de Diretrizes e Bases da
educação Nacional (LDB), promulgada em 1996, é uma lei Federal, e como
tal deve ser cumprida e respeitada. No entanto, para os educadores, deve
ser tomada, também, como uma referência doutrinária e política. Na Lei da Educação, são muitas as acepções de aprender que
podemos depreender a partir da leitura de seus dispositivos legais referentes à
educação escolar. São estes princípios, indicados abaixo, um importante
exemplário de conduta para diretores, professores, pais e alunos e, por isso
mesmo, devem nortear, à guisa de um decálogo da boa aprendizagem, às práticas
escolares:
1. A liberdade de aprender como
principio de ensino (Inciso II, art. 3º, LDB): cabe ao educador a tarefa de, no
âmbito da instituição escolar, ensinar a aprender, mas respeitar, como
princípio, a liberdade de aprender. Só se aprende a aprender, papel fundamental
da escola, na sociedade do conhecimento, com espírito de liberalidade, com
espírito de liberdade de perceber, conhecer e aprender a ver o mundo com os
olhos de um ser livre. Ensinar só tem sentido, no meio escolar, quando a
liberdade é guia para a ação de aprender.
2. A garantia de padrões mínimos de
qualidade de ensino para desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem.
(Inciso IX, art. 4º, LDB): cabe ao poder público, através dos governos; às
famílias, através dos pais e responsáveis e à sociedade, como um todo, ofertar
um ensino de qualidade. A qualidade de ensino só pode ser medida sob enfoque da
aprendizagem. Não há qualidade de ensino quando o aluno deixa de aprender. Não
há aprendizagem sem a garantia, a priori, de que as condições objetivas de
aprendizagem estão hoje e serão permanentemente asseguradas: dinheiro
direto na escola e gestão democrática de ensino
3. O zelo pela aprendizagem dos
alunos como incumbência dos docentes (Inciso III, art. 13, LDB ): aos docentes,
o zelo pela aprendizagem do ensino é, antes de tudo, uma questão de compromisso
profissional, ético, e resulta de uma atitude deontológica e ontológica perante
seu papel educador na sociedade do conhecimento. Quando o aluno deixa de
aprender, por imperícia ou incapacidade pedagógica, a escola perde o sentido de
existir. Os alunos vão à escola para aprender a aprender, formar as bases de
sua cidadania, para um exercício de co-cidadania, a partir do conhecimento
do mundo e dos valores da sociedade.
4. A Flexibilidade para organização
da educação básica para atender interesse do processo de aprendizagem (art. 23,
LDB): À escola cabe a tarefa de patrocinar todas as formas eficazes de
aprendizagem. O que interessa aos pais e agentes educacionais é a
aprendizagem dos alunos. Se for preciso, deve a escola desmontar a estrutura
antiga, mesmo que tenha sido a melhor referência educacional no século
anterior. O importante é a escola fazer funcionar o ensino que garanta a
aprendizagem dos alunos. A sociedade do conhecimento não se fossiliza mais em
modelos, em paradigmas acabados: o paradigma novo, no meio escolar, é o devir,
é a mudança constante.
5. A verificação do aprendizado como
critério para avanço nos cursos e nas séries (item c, inciso V, art. 24, LDB):
Quem aprende a aprender, isto é, passou a ser capaz de aprender com a
orientação docente, deve ser incentivado a ir adiante e, seu tempo escolar,
deve ser, pois aligeirado ou abreviado. A escola não pode ficar, com o aluno,
mais de uma década, engessando seu andar, seu pensar, seu aprender. A
escola é meio. A escola não é fim. O fim da escola é a sociedade. O fim da
sociedade é humanidade, com toda carga semântica que esta palavra sugere no
tempo e no espaço. O fim escolar, pois, é estar bem em convivência, em sociedade. Assim,
a aprendizagem vem da interação. O que a escola deve ensinar é a estratégia de
interagir, de aprender na socialização de idéias e opiniões, para que o
aluno, desde cedo, se prepare para ação no meio social. É a vida social a
verdadeira escola de tempo integral.
6. O desenvolvimento da capacidade
de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e
do cálculo, como estratégia para objetivar a formação básica do cidadão
no ensino fundamental (Inciso I, art. 32, LDB): Ninguém nasce aprendiz, embora
todo ser nasça para aprender. A capacidade de aprender deve ser, pois,
desenvolvida nos primeiros anos escolares. Para tanto, devem ser definidas,
desde logo, nas escolas, as estratégias de aprendizagem que priorizem a
leitura, a escrita e o cálculo. O que fazemos na sociedade do
conhecimento depende unicamente da leitura, escrita e o cálculo. Por isso,
deveriam ser as três únicas disciplinas do currículo escolar. A escola não deve
se ocupar de domesticar, isto é, passar a ser, coadjuvante, de um aparelho
ideológico do Estado ou da sociedade política, de natureza coercitiva, assim
como, historicamente, vem procedendo a Igreja e a Justiça. A escola deve
unicamente preparar seus alunos para a vida em sociedade, para a
prosperidade material e comunhão entre os homens.
7. O desenvolvimento da capacidade de
aprendizagem, tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a
formação de atitudes e valores para objetivar a formação básica do cidadão no
ensino fundamental (Inciso III, ar. 32, LDB): cabe à escola desenvolver
estratégias para fortalecer a memória de longo prazo (MLP) dos educandos. A
aprendizagem é o assegurar de informações e conhecimentos, por parte do
educando, no seu “estoque de informação na memória”. Quem memoriza, pensa mais.
Quem pensa mais, aprende mais. Quem aprende mais, emancipa-se mais cedo. O
homem só aprende quando é capaz de manipular o que produz os objetos, as mercadorias
e as máquinas. Uma criança que depende de uma simples máquina de calcular para
saber quanto é 2 + 2, ou 2 X 2 ou 2 X 9 ou 2 X 2,897 não está preparada para
resolver, no mundo, de cabeça, soluções domésticas, cotidianas,
imediatas, em interação com outro, que exigem, em ação rápida, uma decisão
pronta, às vezes, uma questão de valor para a vida social. Aprender é espécie
de gol de placa quando a bola não cai no pé, mas na cabeça.
8. A adoção no ensino fundamental o
regime de progressão continuada, sem prejuízo da avaliação do processo de
ensino-aprendizagem,. (§ 2º, art. 32, LDB): cabe à escola criar as condições de
aprendizagem, através de oferta das mais diversas e criativas formas de
aprender, e não temer que seja avaliada por métodos inovadores, antigos, ou
tradicionais. Por isso, a escola, pensando e agindo bem, fazendo com que
seu aluno sempre venha a progredir, deve constantemente atualizar
ou mudar seu ritmo de acesso aos saberes, e assim, seus docentes, devem
estar atentos para as formas de avaliação que vão se desenhando nas
instituições educacionais, não como forma de controle pedagógica, mas como
forma de verificar se estar valendo a pena a mudança ou a alteração dos modelos
novos instaurados no meio escolar. Mudar é preciso para a garantia da ação de
aprender.
PRÁTICA DOCENTE. PROFESSOR
REFLEXIVO.
É obrigatório reconhecer em John Dewey (1859-1952),
filósofo, psicólogo e pedagogo norte-americano, uma das primeiras e mais
significativas contribuições para a compreensão do ensino como atividade
prática. Sua teoria fundamentou o movimento da Escola Nova. Dewey foi o
pioneiro na formulação de um novo ideário pedagógico ao defender o princípio
pedagógico de aprender mediante a ação. Não menos influente, foi sua
proposta de formar um profissional reflexivo, que combinasse as capacidades de
busca e investigação com as atitudes de abertura mental, responsabilidade e
honestidade. Ele distingue o ato humano reflexivo do ato de rotina. A rotina é
guiada pelo impulso, tradição e autoridade; assim, os professores que não
refletem sobre o seu ensino aceitam naturalmente a realidade cotidiana das
escolas, esquecendo que esta é apenas uma entre as possíveis. Ao acreditar
na permanência de seus contextos de trabalho, os professores dirigem seus
esforços no aprimoramento dos meios do ensino, deixando-se direcionar por metas
e objetivos definidos por terceiros.
A ação reflexiva implica
problematização da realidade vivida. Dewey define três atitudes necessárias à
ação reflexiva:
“abertura de espírito,
para ouvir opiniões, para admitir possibilidades de erro, mesmo naquilo em que
mais se acredita; responsabilidade sobre as conseqüências do ensino no âmbito
do auto-conceito (conseqüências pessoais), do desenvolvimento intelectual
(conseqüências acadêmicas) e na vida (conseqüências políticas); sinceridade,
pois o professor tem que estar comprometido com sua própria aprendizagem. Essa
distinção entre ato de rotina e atos reflexivos não significa que o professor
deva agir sempre reflexivamente, mas deve-se procurar um equilíbrio entre
reflexão e rotina, entre arrogância e servilismo, tendo consciência dos fins e
das conseqüências do seu ensino (ZEICHNER, 1993).
Donald Schon, professor de Urbanismo e
Educação no Massachusetts Institute of Technology/MlT (EUA), apesar de não ter
produzido especificamente para o campo da educação, fundamentou-se em John Dewey para
desenvolver seus estudos sobre o conceito de profissional, a relação entre
teoria e prática, a reflexão e a educação para a reflexão. A enorme difusão das idéias de Schon levou a
comunidade educacional a buscar a imagem de um professor mais ativo, crítico e
autônomo em relação às suas escolhas e decisões, contestando aquela do
profissional cumpridor de ordens que emanam de fora das salas de aula (ALARCÃO,
1996).
Schon valoriza a prática profissional
como momento de construção de conhecimento, por meio da reflexão, análise e
problematização desta. Ele acredita que o professor, durante a prática, utiliza
um conhecimento tácito, intuitivo e interiorizado, que é revelado na resolução
de situações inesperadas. Quando o conhecimento tácito não é suficiente para
resolver as situações não rotineiras, o profissional reflete sobre a ação
criando novos caminhos, pensando sobre o que faz, ou enquanto faz. A
recorrência de situações semelhantes resulta na construção de um conhecimento
prático. Porém, em situações inéditas, esse conhecimento se torna insuficiente,
exigindo novas buscas, análises e problematizações. Para o enfrentamento desse
novo problema, o profissional prático recorre a experimentações, apropria-se de
teorias e investigações. Schon nomeou esse movimento de reflexão sobre a ação,
abrindo perspectivas para a valorização da pesquisa na prática docente, ou
seja, do professor pesquisador de sua prática. O ânimo despertado por essas
idéias tem inspirado manifestações que aproximam muito a idéia de reflexão e de
pesquisa, impulsionando quase uma identificação entre o professor reflexivo e o
professor pesquisador (LÜDKE, 2001). Antecedendo Schon, Lawrence Stenhouse,
pesquisador da Universidade de East Anglia, Inglaterra, nas décadas de 1960 e
1970, busca uma imagem mais dinâmica e ativa do professor, concebendo-o como
investigador na aula, pesquisador. Acreditando na relação de cooperação mútua
entre o professor e o pesquisador, Stenhouse realiza modificações no ensino e
nas concepções dos professores, por meio da pesquisa-ação, concebida de forma
diferenciada daquela perspectiva amplamente conhecida na América Latina (LÜDKE,
2001; DICKEL, 1998). Ao fundar o Center for Applied Research in Education
(CARE), Stenhouse pretendia democratizar a pesquisa em educação de forma que
esta pudesse contribuir para o desenvolvimento profissional do professor. Após
sua morte prematura, em 1982, John Elliott e B. McDonald prosseguem seus
trabalhos, utilizam a pesquisa-ação como base do ensino, tendo como o foco
principal da investigação o currículo, procurando fortalecer as capacidades de
o professor autogerir sua prática. Embora construindo imagens distintas para
representar o professor, como pesquisador (Stenhouse) e como prático reflexivo
(Schon), ambos compartilham do desejo de emancipação dos professores de
qualquer forma de autoritarismo (PÉREZ GÓMEZ, 1998). Contudo, o termo professor
reflexivo ganha força com a difusão das idéias de Donald Schon, na década de
1980, em um contexto de reformas educacionais neoliberais em diversos
países. Um movimento internacional de
educadores em busca de democratização social e política dos países e do
reconhecimento da importância da educação na formação de cidadãos que realmente
atuassem na construção de sociedade democrática ocorreu, nesse período, em
reação às reformas realizadas pelos governos nos sistemas de ensino e nos
programas de formação de professores. O movimento a favor da formação do
professor reflexivo surgiu neste contexto como reação à racionalidade técnica
que permeava as reformas: ao considerar o professor como um técnico,
impunha-se-lhe uma reforma educativa de cima para baixo, sem sua participação
ativa, ou seja, centralizada nos governos. A luta de vários teóricos,
professores universitários, pela mudança na visão predominante do professor nas
reformas educativas – um técnico sem voz, sem formação adequada e submetido a
um processo de proletarização para a de um intelectual comprometido
politicamente com a democratização do ensino e da sociedade – permanece até os
dias atuais. O posicionamento desses teóricos exigia – e exige – alterações no
status profissional do professor o que implica reestruturação do quadro de
carreiras, mudança nas condições de trabalho, no salário e na formação dos
professores. Eles defendem que se deve reconhecer a riqueza da experiência que
reside na prática dos bons professores e que o processo de aprender a ensinar
se prolonga por toda vida. Eles buscam a construção de modelos críticos de
formação de professores. Entretanto, mesmo dentro do movimento, existem
diferenças sobre a forma como se consideram a reflexão, a pesquisa, o papel do
professor e as estratégias utilizadas na concretização desta formação. Kenneth
Zeichner, professor e pesquisador da Universidade de Wisconsin, Madison (EUA),
considera o movimento em favor da formação do prático reflexivo e do ensino
reflexivo uma reação à visão predominante de professor como um técnico “implicando
o reconhecimento de que os professores são profissionais que devem desempenhar
um papel ativo na formulação tanto dos propósitos e objetivos do seu trabalho,
como dos meios para os atingir” (ZEICHNER, 1993, p. 16). Implica também o
reconhecimento de que os professores têm teorias que podem contribuir para uma
base codificada de conhecimentos do ensino. Sendo assim, a produção de
conhecimento sobre o ensino de qualidade não pode depender somente da academia,
pois é de competência tanto das universidades e centros universitários quanto
da escola básica. Relacionado a esse fato, Zeichner defende a necessidade de
reconhecimento pela universidade dos saberes que advém da experiência prática
dos bons professores (ZEICHNER, 1993).
Para discutir os conceitos de ensino reflexivo e de prático reflexivo,
Zeichner (1993) fundamenta-se nas definições de John Dewey que afirma que as
ações dos professores reflexivos são planejadas de acordo com os fins que esses
determinam para a educação, o que lhes permite decidir conscientemente sobre os
caminhos a seguir, saberem quem são e quando agem. Dessa forma, há uma tensão
entre direção externa e interna na vida dos professores reflexivos que são
vistos como lideres que podem aprender com os outros, mas que não são subservientes
aos que não estão na sala de aula. Assim, o professor reflexivo deve ser
autônomo em relação à sua profissão, não dependendo do que lhe digam
supervisores, diretores, superintendentes ou daqueles que promovem as reformas
na educação. Isso não significa que não esteja aberto a contribuições, idéias e
sugestões de outras pessoas, mas estas somente serão utilizadas por ele se
aprovadas no seu próprio julgamento. A prática social do professor é
reconhecida como complexa, os problemas surgidos no seu cotidiano de trabalho
não podem ser resolvidos meramente com aplicações de técnicas aprendidas nos
cursos de formação. A ação do professor não se reduz à resolução de problemas
da realidade educacional da escola básica, mas se orienta para o esclarecimento
de situações complexas em que problemas devem ser, em primeiro lugar,
colocados, situados e valorizados. A primeira atividade do professor reflexivo
é a construção subjetiva do problema, como casos únicos que são. Todas as
decisões do professor, estejam elas relacionadas à seleção de conteúdos, à
definição de metodologias e avaliação, à organização do tempo e espaço
escolares, ao relacionamento com o aluno e com a comunidade, são definições
ético-políticas. (ZEICHNER, 1993). Ao aderir ao movimento de formação do
prático reflexivo, Zeichner não deixa de alertar contra as tendências que
utilizam o conceito de prático reflexivo para manter, de forma sutil, a
subserviência dos professores. Em seus trabalhos, ele oferece uma contribuição
interessante para a expansão do conceito de prático reflexivo proposto por
Schon quando apresenta e problematiza as diversas concepções de prática
reflexiva no ensino e na formação de professores. Ele tem um olhar diferente,
construído a partir de um investimento das práticas de ensino como objeto
teórico, e não como terreno de aplicação de teorias e, também, um esforço de
contextualização social e de problematização política e ideológica da formação
de professores. Esse teórico valoriza a prática profissional como momento de construção
de conhecimento, através da reflexão, análise e problematização desta. A visão
de Zeichner sobre os professores como práticos reflexivos tem como premissa a
consideração de que os mesmos estão constantemente a criar saberes. As
estratégias de intervenção que criam no cotidiano de suas práticas encarnam
teorias sobre a maneira de compreender os valores educacionais. Para ele, a
prática de todo professor resulta de uma teoria pessoal, seja ela reconhecida
ou não. A posição de Zeichner é que as teorias construídas pelos professores
são tão legítimas quanto aquelas originadas nas universidades ou centros de
pesquisa, sendo necessário, portanto, avaliar a qualidade de todas elas. Assim,
para esse teórico não existe um problema de diálogo entre a teoria e a prática,
mas um desencontro entre dois tipos de teorias: uma, a do professor, enraizada
na prática e, outra, a do pesquisador, construída pela observação da prática do
professor ou pelas próprias idéias entre os pesquisadores (ZEICHNER, 1998).
Zeichner acredita que, pensar a prática reflexiva pode significar a vinda à
superfície das teorias práticas dos professores, para o seu exame, análise e
questionamento. Ao realizar o exame de suas teorias, em momentos de reflexão
individual e coletiva, com os colegas, a comunidade e outros profissionais, o
professor tem mais possibilidades de conscientizar-se de suas falhas. A
discussão pública de seu ensino e das condições sociais que modelam sua
experiência fornece-lhe elementos de aprimoramento de sua prática, de aprendizagem
com seus colegas, de reconhecimento de si próprio como profissional em contínuo
processo de aprendizagem, de elevação de sua auto-estima, além da consciência
do desenvolvimento de sua profissão. Nesse sentido, a reflexão é uma prática
social por meio da qual grupos de professores podem apoiar e sustentar o
desenvolvimento uns dos outros, formando comunidades de aprendizagem. A prática
reflexiva deve estar articulada à valorização do profissional da educação,
incluindo a luta por relações democráticas e emancipatórias nos contextos
educacionais. O conteúdo da reflexão não deve estar limitado às questões
específicas de sala de aula, mas aos aspectos organizacionais e sociais. Para
ser considerada boa, a reflexão deve ter como finalidade o bem do aluno e a
relação com a comunidade. Deve, ainda, estar vinculada ao resgate da
legitimidade dos conhecimentos gerados nas escolas, questionar o distanciamento
e a hierarquização entre os profissionais envolvidos na formação e na pesquisa
educacional: professores, pesquisadores universitários e docentes. Zeichner
preocupa-se em ampliar o conceito de pesquisa para atender aos requisitos
levantados pelo trabalho de professores, supervisores e diretores na escola
básica. Ele acredita que assim como fizeram as abordagens qualitativas, o
reconhecimento acadêmico das pesquisas realizadas pelos professores traria
contribuições para o enriquecimento da pesquisa educacional porque a
aproximaria dos reais problemas vividos pelo professor e da percepção deles.
(LÜDKE, 2001; ZEICHNER, 1993). Zeichner alerta para a desvirtuação do conceito,
pelo modo como a noção do professor como prático reflexivo é utilizada na
reforma de ensino por que passam vários países. Ele apresenta quatro
características que comprometem a intenção de emancipação: direcionamento da
reflexão, de forma a incentivar os professores a imitarem as práticas sugeridas
pelas investigações produzidas por outros; limitação do processo reflexivo às
estratégias de ensino, excluindo a definição dos fins educacionais; centramento
da reflexão do professor em sua própria prática ou na de seus alunos,
desconsiderando as condições sociais que influenciam o ensino; insistência na
reflexão dos professores individuais, que devem pensar sozinhos o seu próprio
trabalho.
Essas quatro características presentes
nas propostas de reforma desvirtuam a intenção de emancipação expressa pelos
reformadores, transformando apenas em retórica os compromissos e valores
defendidos pelo movimento em prol da formação do professor reflexivo, ou seja,
o ensino reflexivo torna-se um processo racional e imparcial ao invés de
apaixonado e imbuído por preocupações éticas. Liston e Zeichner tecem críticas
aos trabalhos de Schón advertindo, entre outras coisas, que a sua teoria
retrata os profissionais se envolvendo individualmente em práticas reflexivas,
com o objetivo de mudar imediatamente as situações concretas em que estão
envolvidos. Eles consideram que esse enfoque é reducionista e restrito,
portanto, limitante do sentido do que deveria ser uma prática reflexiva
competente:
“A prática
reflexiva pressupõe uma situação institucional que leve a uma orientação
reflexiva e uma definição de papéis, que valorize a ação reflexiva e a ação
coletiva orientada não só para as interações dentro da sala de aula e na
escola, mas também entre a escola e a comunidade imediata e entre a escola e as
estruturas sociais mais amplas (ZEICHNER, 1993. p.81)”.
Liston e Zeichner acreditam que sua
teoria não proporciona uma análise sobre a forma como o processo reflexivo pode
contribuir para a modificação dos limites impostos pela burocracia
institucional para o trabalho do professor, não questiona as concepções sobre o
ensino e os fins da educação que os professores possuem nem as possibilidades
de provocar a sua imersão, com vistas à transformação. Contreras (2002)
reconhece, nos trabalhos de Schón a prática como um diálogo reflexivo com a
situação, que é, necessariamente, um diálogo com o contexto social no qual se
está inserido. Não é sobre a desconsideração do contexto social que recai a
crítica desse teórico a Schón, mas a principal crítica que faz refere-se a
situar a reflexão dentro da própria perspectiva técnica que tanto Schón
criticou. Dessa forma, Schón desconsidera a singularidade da prática docente
visto que sua proposta inicial voltava-se para o curso de Arquitetura, que
difere das características do trabalho do professor. (GONÇALVES E GONÇALVES,
1998). De forma geral, as diferentes tendências no movimento do professor
reflexivo compartilham da perspectiva de o docente atuar como agente de
mudanças. Parte significativa da literatura nesse campo fundamenta-se em
pressupostos da teoria crítica em educação (SANTOS, 2001; PEREIRA &
ZEICHNER, 2002). A questão central dessa proposta relaciona-se ao compromisso
com uma educação mais progressista e com um modelo de formação de professores
que possibilite a análise de aspectos morais e éticos da prática do professor
de forma a contribuir para clarear as conseqüências sociais do ato pedagógico.
Nenhum comentário:
Postar um comentário