Subseção II
Ensino Médio e Acadêmico.
O exemplo do ensino acadêmico crê que é possível adotar-se o
método da aula expositiva e interativa e interpretativa, evidenciando a
utilização da informática através dos softwares de simulação, para propiciar
aos alunos aprendizado exercitado em ambientes similares ao real, permitindo
que, pelo uso de técnicas do aprender-fazendo, se consolide efetivamente o
ensino, além de contribuir para o estabelecimento de um perfil profissional
mais sintonizado com as necessidades do mercado. O uso do método em voga vem
mostrar aos participantes que, através de uma técnica como essa, tem condições
de formular um processo e planejar efetivamente dentro de um ambiente simulado.
O resultado final não é tão importante quanto o ensino da técnica de
planejamento e de tomada de decisões, mostrando que as pessoas tomam decisões e
recebem como feedback informações que, freqüentemente, não são compatíveis com
as decisões esperadas ou com os resultados almejados. Então os participantes
devem reavaliar todas as decisões e tentar saber o que aconteceu. Esse processo
de avaliação contínua propicia um nível de aprendizagem muito superior aos
métodos conhecidos como "tradicionais" de ensino e treinamento.
Aula expositiva: sua natureza.
A aula expositiva é sem dúvida uma das formas mais comuns de
instrução utilizadas na educação brasileira, tanto para o ensino de 1o e 2o
grau (crianças) como no ensino da academia. O que constitui a aula expositiva,
entretanto, não é tão claro quanto parece ser; além disso, muitos professores
não param para considerar as vantagens e desvantagens do método de exposição
antes de adotá-lo ou rejeitá-lo. E quando eles efetivamente escolhem
utilizá-lo, certamente mais pessoas falham ao considerar como podem melhorá-lo.
Nesse momento, na disciplina de METODOLOGIA DO ENSINO DE BIOLOGIA I do Curso de
Biologia da Faculdade Integrada da Grande Fortaleza, temos a proposta para
discutir: “vantagens e desvantagens da aula expositiva“. Vejo com muito
entusiasmo a proposta que visa no meu entender ajudar a aumentar a eficácia de
instrução dos educadores fornecendo detalhes sobre pontos fracos e fortes da
abordagem expositiva e como ela pode ser mais valiosa para os que devem
aprender por seu intermédio. Nós que já assistimos aulas expositivas, temos uma
idéia aproximada sobre o que constitui uma exposição - alguém fica atrás de um
pódio e lê algumas anotações. Na verdade, são claro, muitas aulas vão muito,
além disto. Mas foi assim que elas começaram. Nas universidades medievais, por
exemplo, professores e alunos não tinham livros, os professores liam suas
anotações já preparadas a fim de difundir as informações o mais amplamente
possível. Mesmo como advento da imprensa escrita, os livros ainda eram artigos
raros e até algumas décadas atrás a aula expositiva era, talvez, a única
maneira eficaz para ensinar um grande número de pessoas. Neste trabalho, eu
usarei a palavra exposição no sentido de ensinar pela palavra falada: o professor
fala e os alunos ouvem e (espera-se) aprendem. O principal meio de ensino é a
comunicação de mão única. Por extensão, exposições podem incluir a utilização
de muitos meios, como transparências, slides e fitas de vídeo; mas a
comunicação ainda é, primariamente, de mão única. Discutiremos o método
expositivo sem considerar a possibilidade de discussão e outras modalidades de
comunicação em dois sentidos. Não podemos perder de vista as vantagens
adicionais do método de discussão. Estimativas recentes sugerem que a exposição
oral é o modo dominante de instrução nas salas de aula de faculdades e escolas
de ensino médio, empregadas em talvez 75% das aulas. No contexto do ensino de
biologia a aula expositiva é provavelmente menos difundida, mas aquele percentual
não é inferior a 50%. Assim, há, portanto uma boa razão para compreendermos as
vantagens e desvantagens da aula expositiva.
1.1- As vantagens da aula expositiva.
Métodos Expositivos e suas vantagens.
Ficamos inicialmente propensos a questionar: por que o
método expositivo é tão popular? Acredito que existem algumas razões
relevantes e normalmente aceitas para seu uso abrangente em educação. Razão 1:
exposições podem comunicar o interesse intrínseco da disciplina. O (a)
expositor (a) pode claramente comunicar seu entusiasmo, que por sua vez, deve
logicamente aumentar o interesse da audiência em aprender. Aulas
expositivas também podem compreender materiais ou assuntos não disponíveis por
outros meios. Muitas vezes, por exemplo, professores de biologia desenvolvem
apresentações com uma variedade de recursos. Ao invés de exigir que os
participantes comprem e leia material de diversas fontes, o expositor pode
apresentar o conteúdo de uma forma econômica, direta e integrada. Também é
possível apresentar novos conteúdos que ainda não apareceram em livros ou
artigos. Um expositor competente pode utilizar várias centenas de páginas de
informações, resumi-las e apresentar todas as idéias principais em questão de
algumas poucas horas. Certos professores também podem atingir muitos alunos de
uma só vez. Em muitas salas, por exemplo, cabem centenas de estudantes.
Sofisticado equipamento audiovisual torna possível para um palestrante ensinar
a todos eles de uma vez. Mesmo no ensino de biologia é comum o professor ter
classes de mais de 40 alunos e a aula expositiva, não obstante, pode ser uma
maneira eficiente de atingir muitos ouvintes de uma vez. Os docentes podem
servir como efetiva base modelada para seu público estudantil. Por exemplo, um
educador em biologia que utiliza apresentações refinadas com audiovisual,
roteiros ou resumo para os alunos, exemplos reais e uma exposição num ritmo bem
equilibrado pode estar transmitindo não somente as informações da apresentação
em si, mas também idéias sobre o que funciona e o que não funciona em
exposições orais. O método de exposição coloca claramente o controle da
situação nas mãos do professor, docente. Assim, ele (a) poderá determinar o
conteúdo a ser abrangida, a seqüência na qual isso será feito, quanto tempo será
dedicado a cada tópico e assim por diante. Esse controle pode ser
particularmente importante quando é imperativo que certos pontos críticos sejam
cobertos. Por exemplo, estudantes que serão submetidos a exames de
certificação, obviamente devem receber todas as informações que serão tratadas
no exame. Aulas expositivas apresentam uma ameaça mínima para o aprendiz. Em
aulas de discussão, por exemplo, as pessoas freqüentemente se sentem
intimidadas pela possibilidade de que possam ser solicitadas a falar. Quando
percebem que tudo o que tem a fazer é ouvir, podem relaxar e prestar mais
atenção no que está sendo dito. Embora possa não ser possível determinar o
estilo de aprendizado previamente, muito dos atuais professores que já foram
discentes cresceram durante o advento da era da televisão. Assim, eles estão
acostumados a assistir e ouvir de forma passiva e inativa.
1.2- As desvantagens da aula expositiva.
Métodos Expositivos e suas desvantagens.
Na visão dialética da revolução dos costumes, e atento sob outro
prisma, o método expositivo apresenta várias limitações. Talvez a sua
deficiência mais significativa seja a falta de feedback que geralmente
acompanha as aulas expositivas. Embora um experiente professor de biologia
possa perceber alguma compreensão através de expressões faciais e da linguagem
do corpo, o feedback é, todavia, vago. Um segundo ponto fraco do método
expositivo é a passividade dos ouvintes. Para a maioria das pessoas, aprender é
facilitado através da execução de algum tipo de atividade. Além do mais, eles
tendem a esquecer rapidamente as informações recebidas em exposições orais.
Assim, a audição passiva é um veículo de aprendizado menos eficiente. A duração
das aulas expositivas e a extensão do interesse dos ouvintes são inversamente
proporcionais. Exposições, em geral, duram de 45 minutos uma hora, e
ocasionalmente, demoram mais ainda. Pesquisas mostram que a média da duração do
interesse, para a maioria das pessoas, é somente em torno de 15 a 25 minutos.
Conseqüentemente, é necessário incluir variações em uma aula expositiva, a fim
de manter a atenção. Aulas expositivas também falham ao não considerar as
diferenças individuais de habilidade e experiência. O professor tem que
delimitar a apresentação no que pode ser considerado um nível médio de
dificuldades para aquela audiência em particular.
Conseqüentemente, existirão alguns na sala de aula para os
quais a apresentação provavelmente seja muito simples e alguns para os quais
deverá estar sendo muito complexa. Aulas expositivas são inadequadas para
certas formas elevadas de aprendizado. Por exemplo, exposições podem
efetivamente ensinar fatos, definições e conceitos. Entretanto, elas não podem
ensinar análises, diagnósticos ou desenvolvimento de habilidades motoras. Aulas
expositivas também são menos eficazes no ensino das habilidades de raciocínio e
de escrita. Finalmente, as exposições eficazes, pelo menos em parte dependentes
da habilidade e prática de em falar em público do professor. Se ele (a) é um
orador limitado, tem problemas em organizar o material, ou não demonstra
entusiasmo com o assunto, às chances são de que um pequeno aprendizado ocorra.
1.3- Conclusões.
Como devemos melhorar as aulas expositivas.
Considerando o amplo emprego e o valor potencial do método
expositivo, é lícito afirmar que todas as pessoas envolvidas no ensino de
biologia, em particular, devem interessar-se no aprimoramento de suas
habilidades em aulas expositivas. Impõe – se a necessidade de Preparar e
Organizar as aulas expositivas de forma a estabelecer um relativo percentual de
positividade na resultância do processo ensino aprendizagem. Um dos primeiros
passos no preparo de uma aula expositiva é certificar-se que seu conteúdo é
apropriado à audiência. Isto envolve a obtenção de informação sobre as pessoas
que estarão assistindo e de suas expectativas em relação à aula. Preparar um
sumário da exposição também é aconselhável. Isso pode ajudara focar a palestra
mais especificamente no tópico de maior domínio pelo professor, apontar áreas
onde é necessário mais informação e assim por diante. A questão de se iniciar a
exposição sobre princípios gerais seguidos de ilustrações e aplicações, ou
começar com casos concretos e mais tarde se estender para generalizações, pode
não ser respondida. Pesquisas sobre estilos de aprendizado sugerem que, ambas
as abordagens funcionam para alguns estudantes. Tenho desenvolvido na minha
formação de especialização em psicopedagogia, o discurso da “Manutenção do
Entusiasmo”. Eu concordo com a conveniência de começar com uma questão que
capture a atenção dos ouvintes. O passo seguinte é organizar o conteúdo em
tópicos principais e secundários. Os pontos principais, naturalmente,
constituem os temas importantes ao redor dos quais a exposição será
desenvolvida. Os pontos secundários podem ser abordados se o tempo
permitir. Outra seqüência é selecionar exemplos, o docente deve dispor de
um mínimo de tempo pesquisando exemplos adequados. Por exemplo, na docência de
biologia devemos desenvolver uma exposição que associe o uso da biologia e sua
compreensão no dia-a-dia. Recomendável ainda apresentar mais de uma
perspectiva. A aula expositiva deve ser desenvolvida para apresentar uma visão
balanceada do assunto. Por exemplo, se um professor está discutindo como
“defender o meio ambiente”, deve comparar as razões de ter esse meio ambiente
defendido na sua área de vida, pois desse procedimento de defesa estará também
protegendo a vida e de seus pares. Paralelamente, entretanto, o docente também
deve preparar advertências apropriadas sobre situações em que essas técnicas
podem não funcionar.
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