Subseção IV
Em relação às técnicas de aula expositiva e trabalho grupal,
Jean Piaget diz: “aprender não consiste em incorporar informações já
constituídas e, sim, em redescobri-las e reinventá-las através da própria
atividade do sujeito”. O que podemos derivar em termos de pensamento a respeito
desta afirmativa?
Sou adepto do discurso da Psicogenética, assim, logo fica
claro que penso como auto-afirmação que a teoria biológica da educação
“piagetiana” próspera. De acordo com Piaget, o desenvolvimento cognitivo é um
processo de sucessivas mudanças qualitativas e quantitativas das estruturas
cognitivas derivando cada estrutura de estruturas precedentes. Ou seja, o
indivíduo constrói e reconstrói continuamente as estruturas que o tornam cada
vez mais apto ao equilíbrio. Essas construções seguem um padrão denominado por
Piaget de ESTÁGIOS que seguem idades mais ou menos determinadas. Todavia, o
importante é a ordem dos estágios e não a idade de aparição destes. Assim, fica evidente que para “aprender não
consiste em incorporar informações já constituídas e, sim, em redescobri-las e
reinventá-las através da própria atividade do sujeito”. Dando ênfase para a justificativa da
compreensão do verbo estudar conectado com a inteligência: Estudar -
"Estudar é aplicar a inteligência para aprender - é aplicar o espírito, a
memória e a inteligência para adquirir conhecimentos".
(Hollanda, 1967). Inteligência - Segundo Del Nero (1997), a
inteligência pode ser definida como a capacidade de estabelecer e testar a
maior quantidade possível de relações entre as informações, descartando as não
relevantes. Quando alimentamos nossos esquemas cognitivos com uma teia rica de
relações sobre um problema, emergem soluções para ele, bem como, se abrem
maiores possibilidades de estabelecer novas relações. Estudar é aplicar a
inteligência para aprender visando à construção de conhecimentos. O estudo como
atividade educativa é uma forma privilegiada de aprendizagem. Existem diversas
formas de estudar: elaborando desenhos, diagramas, assistindo filmes,
projetando diapositivos, utilizando material multimodal ou lendo um texto
impresso. Os inúmeros recursos que podem ser empregados para o estudo
determinam a necessidade de uma organização para essa atividade para torná-lo
produtivo e criativo. Durante o ato de estudar a pessoa desenvolve diferentes
funções psicológicas (Por função psicológica a escola soviética de Psicologia
entende uma rede complexa de processos biológicos, psíquicos e sócio-culturais
que definem um determinado modo de ser e agir no mundo. Assim, destaca a
atenção, memória, percepção como funções que se complexificam no curso da
aprendizagem e desenvolvimentos humanos, possibilitando ao indivíduo adulto a
auto-regulação: função nuclear que sinaliza níveis diferenciados de abstração,
análise, síntese, relações entre eventos e a própria vontade) e operações
mentais (OPERAÇÕES MENTAIS (Fernadez, 1998) Durante o ato de estudar a mente
realiza as seguintes operações: Classificar: A começar pelo título, devemos
classificá-lo nos diversos ramos da Ciência ou ramo do conhecimento humano. À
medida que colocamos "o tema" em contato com os nossos recursos de
percepção, visão, audição, poderá classificá-lo e hierarquizá-lo. Após uma
primeira classificação, você poderá enriquecê-la desdobrando-a. Seriar: Esta
operação mental se realiza quando ordenamos segundo um determinado critério as
coisas que se nos apresentam ou quando colocamos os elementos de estudo em
seqüência, em passos progressivos ou em séries cronológicas distinguindo as
partes para chegar à visão do todo. Algumas temáticas se prestam mais à
seriação do que outras. Relacionar: Significa estabelecer relações simples ou
múltiplas. Uma forma de relacionar é comparar semelhanças e diferenças. Outra
maneira de relacionar é aproximar possíveis causas e efeitos, introduzindo as
perguntas: Por quê? e em seguida: O que acontecerá então? Esta operação mental
favorece a construção de "redes" estabelecendo ligação entre os
fatos: Analisar: Significa decompor os sistemas em seus elementos
constitutivos, dividindo o todo em partes. Pode-se começar a analisar enumerando as
qualidades, as características de um ser ou um fenômeno. Reunir e compor
conjuntos de sistemas: Quando se estuda, pode-se tornar o próprio estudo um ato
de criação, ao reunir os elementos que compõem o tema de maneira original. A
reunião pode ser mais original e completa se reunirmos os dados relativos ao
objeto aos conhecimentos relacionados. Sempre que se retomam elementos das
informações isoladas, reorganizando-as num todo, estamos utilizando a operação
de reunir. Sintetizar: Se refere a reduzir aos aspectos essenciais do objeto. É
necessário fazer a identificação dos itens principais para que seja resgatada a
visão global e a relação entre as informações. Pode ser feito em forma de
quadro sinóptico, mapa conceitual ou outras. "... Uma boa síntese ... é
com freqüência um meio de estimular a memória muito mais útil do que extensivas
anotações ... porque funciona como um lembrete ativo, um mapa mental que induz
o cérebro a reconstruir com significados ... se não fixarmos os significados
por meio do processamento de informações num nível bem mais profundo, torna-se
praticamente impossível reconstruí-los." (BARNES) Representar: Se refere a
aproximações das idéias a objetos concretos associando teoria e prática.
Existem diversas formas de representar, mediante imagens figurativas, gráficos,
diagramas, modelos. Argumentar: Uma das atividades que melhor garantem a
aprendizagem é tentar provar ou justificar um conceito procurando reunir
fundamentos para uma afirmativa ou negativa. Transferir: Transferir consiste em
reproduzir ou aplicar o que foi aprendido, porém modificando-o, ou melhor,
ajustando-o às novas situações. Avaliar: Para avaliar você deve ter
desenvolvido a capacidade de reunir, analisar, sintetizar, argumentar e
conceituar. (Supõe uma atitude crítica considerando os aspectos positivos e
negativos e tomada de decisões) com a intenção de tornar as estruturas
cognitivas cada vez mais flexíveis, amplas e integradas desenvolvendo a
capacidade de estabelecer novas relações e conceitos para a construção do
conhecimento.
Por que devemos estudar?
O ato de estudar, como processo de apropriação do saber
social, sugere reflexões sobre o conhecimento, objeto da educação e instrumento
de transformação do ser humano. O processo de construção de conhecimento não
está isolado do contexto histórico-social e do estado de desenvolvimento das
ciências, da filosofia e das artes. Neste começo de século, a informação e sua
comunicação são elementos fundamentais que direcionam o ato de estudar ao "aprender
a aprender" e não mais à reprodução acrítica de saberes.
Para quê estudar?
Entendendo a educação como transformadora do
indivíduo-aluno-cidadão e através dele da sociedade, o ato de estudar traz
implícita uma visão de mundo que pode ser essencial para a promoção de mudanças
tanto pessoais como sócio-culturais. A forma como estudamos significa uma
postura perante o mundo e implica numa responsabilidade que ultrapassa a mera
obtenção de uma titulação ou a habilitação para exercer uma determinada profissão.
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